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NA MÍDIA

Governo quer trocar títulos da dívida

Fonte: O Estado de S. Paulo do dia dois de setembro de 2011.

Autor(es): Adriana Fernandes



Ideia é dar "passo definitivo" na redução dos juros, trocando papéis corrigidos pela Selic

Depois da decisão do Banco Central de começar a reduzir de forma agressiva a taxa de juros, a pressão se volta agora para o Tesouro Nacional. A orientação da equipe econômica é acelerar o processo de redução do volume de títulos da dívida pública interna atrelados à taxa básica de juros, a Selic.

A avaliação é de que o momento de dar um "passo definitivo" nessa direção chegou agora com o início do processo de flexibilização monetária. O governo está disposto a pagar um custo maior para trocar os papéis com correção vinculada à Selic, as LFTs, por títulos prefixados e atrelados à inflação. Como esses papéis têm maior risco, os investidores cobram um prêmio para comprá-los. Já o papel atrelado à Selic é considerado um ativo financeiro livre de risco.

Com a decisão de reduzir mais rapidamente as ofertas de LFTs, o Tesouro terá de pagar um prêmio ainda maior para fazer a troca. O entendimento do comando do Ministério da Fazenda é de que bancar esse custo fiscal para acelerar a troca agora vai valer à pena para melhorar o perfil da dívida e por fim à chamada "cultura do CDI" no mercado financeiro nacional. Essa cultura faz com a taxa Selic seja a principal referência para outros ativos negociados.

Segundo uma fonte da Fazenda, o governo sabe que terá resistências para tocar essa estratégia, mas está disposto a "comprar mais essa briga com o mercado" e enfrentar o problema de forma mais agressiva, como fez no passado quando reduziu o volume de títulos atrelados a taxa de câmbio.

Para a equipe do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o fim das LFTs vai dar mais potência à política monetária do BC, tornando mais eficiente o combate à inflação. Uma das alternativas em estudo para acelerar a desindexação é utilizar a chamada "Libor brasileira", o índice recentemente criado pela BM&FBovespa, em substituição à Selic como indexador da parcela pós-fixada da dívida.

Estratégia. O Tesouro vem reduzindo nos últimos anos a participação de papéis corrigidos pela taxa Selic no total da dívida interna. Ao longo deste ano, já vendeu cerca de 18% a menos de LFT em relação ao mesmo período do ano passado. A participação desses papéis no total da dívida interna é hoje de 32,26%, mas no passado já chegou a mais de 60%. Até o final do governo Dilma, vencem 80% desses papéis. Esse volume de vencimentos elevados tem sido considerado uma "janela de oportunidade" para reduzir a participação desses papéis no estoque da dívida.

O movimento de queda tem sido feito de forma gradual, com balanceamento de riscos e custo. No primeiro mandato do governo Lula, a Fazenda chegou a divulgar como meta a tarefa de zerar as LFTs do cardápio de títulos do Tesouro.

Um dos entraves para essa estratégia é o volume elevado de operações compromissadas feitas no mercado aberto justamente com remuneração vinculada à taxa Selic. Essas operações, que calibram o volume de dinheiro (liquidez) do mercado, aumentaram com as compras de dólares feitas pelo BC e com os empréstimos do Tesouro ao BNDES. É que boa parte dos títulos da dívida interna que o Tesouro utilizou para emprestar ao banco estatal de fomento era de curto prazo e já venceu, aumentando a liquidez do mercado. Esse dinheiro teve que ser retirado de circulação pelo BC, por meio das chamadas operações compromissadas.

Estratégia
32,26% é a participação de LFTs, papéis vinculados à taxa Selic, no total da dívida interna 60% é quanto chegou a ser essa fatia no passado

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